Secretamente...

quinta-feira, abril 20, 2006

A Morte

A Morte: o que é morrer?

A Morte é algo que não podemos mudar por muito que queiramos, é algo biológico, tudo o que nasce morre, mas as pessoas não suportam a ideia de que um dia vão morrer, “que chegará a nossa vez”, de que um dia deixamos de existir. É inevitável e inaceitável ao mesmo tempo, pois provoca em nós um sentimento horrível porque perdemos o nosso maior bem precioso, a vida!
Há pessoas que têm mais dificuldade em falar do assunto morte, outras até abordam e aceitam com mais facilidade o facto de que um dia o seu corpo descansará para sempre.


A Morte Pequena

No geral as pessoas desejam para si uma morte rápida e sem dor para que não se sintam a morrer lentamente! Mas quando alguém morre a primeira coisa que se faz é tratar das coisas legais e comerciais, concluindo que a morte como outras tantas coisas está organizada empresarialmente.
Existem duas maneiras mais comuns de se morrer: por acidente violento ou por doença terminal. Nos casos de doença, tenta-se procurar desviar o doente da sua situação medicando-o, de maneira a lhe aliviar o sofrimento, é a chamada a morte estúpida.
A chamada “morte pequena” por Rilke é um acontecimento irrelevante no conjunto da sociedade: trivializa o homem nega-lhe um destino porque ignora a sua dignidade e personalidade irrepetível. É uma maneira de morrer pouca humana, apenas um deixar de existir, uma extinção.

A Morte Grande

Olhando à morte estúpida, a consciência da própria morte converte a própria vida num drama real e não fingido.
No momento em que se está para morrer a pessoa começa a pensar em tudo o que viveu e se cumpriu o seu objectivo na vida, se tudo o que sempre desejou alcançar está alcançado, então morre em paz e até quem sabe feliz.
Para se saber estar preparado para morrer há que aprender se morrer é um adormecer ou um acordar…é importante sabê-lo porque em cada um dos casos é definitivo.

A Pretensão da Mortalidade

A morte tem algo de contraditória, por um lado é algo que faz parte da natureza, tudo o que nasce morre, logo faz parte dum ciclo, por outro lado é algo que não suportamos sequer imaginar, a morte de alguém, é uma coisa que nos transcende: “Ninguém é capaz de viver em toda a sua extensão o horror e a realidade da morte, como aquele que ama”.
Mesmo já depois de ter morrido a pessoa em causa, o amor permanece no coração de quem ama, por exemplo duma mãe que perde um filho, ela amá-lo-á para toda a sua vida. Mas quando se ama desejamos que a pessoa tenha tudo de bom na vida, que seja muito feliz e que tenha uma vida interminável, mas isso não é possível então não se pode amar para sempre, logo podemos afirmar que o homem tem a pretensão da imortalidade. Nos temos também a capacidade de por em risco a nossa própria vida em defesa da pessoa que amamos, ou seja, aquilo ou a pessoa que amamos é mais importante que a nossa própria vida.
A felicidade relaciona-se com a imortalidade no sentido do homem se ter que apoiar na vida para além da morte para assim poder ter uma vida em paz e descansada.
No homem há um núcleo de espiritual que não é destruído pela morte, mas que permanece para além dela. A inteligência e as potências espirituais são indestrutíveis, pois são imateriais.
As notas que definem a pessoa e o espírito indicam que o seu núcleo tem carácter espiritual, quer dizer, imaterial. Só é mortal aquilo que tem corpo. Contudo, a alma humana, que não é corpo, mas o seu princípio vital, tem um núcleo imaterial que não é afectado pela decomposição do corpo que se segue à morte. Há pois que concluir que o núcleo imaterial da alma humana, com a inteligência e as potências espirituais, por ser indestrutível, permanece depois da morte numa existência separada do corpo, que deixou de existir.
Isto apenas comprova que o homem sabe, sem que ninguém lhe ensine, que a alma prevalece para além da morte, que o que morre é o corpo e alma transcende na imortalidade.
O significado da morte por um lado sempre significou a transgressão para um outro mundo, mundo dos espíritos, que todos desconhecemos e que a única coisa que é conhecida é através das crenças pois os seres racionais jamais conseguirão descobrir o que existe para além da morte, naquele mundo que todos se interrogam do que será, mas ao mesmo tempo todos pensam que a vida continuará mas não da mesma maneira.
Podemos concluir que o homem possui pretensão da imortalidade por a morte ser um acontecimento inevitável e doloroso, então para diminuir um bocado essa dor, as pessoas pensam e acreditam que existem vida para além desta e que não se morre espiritualmente, mas sim fisicamente!



Deixo-vos este texto que é um excerto de um trabalho que foi feito no ano passado, que fala sobre a morte! Para alguns é capaz de ser dificil falar sobre isto, mas achei que dá para pensar um bocado e que todos nós devemos saber enfrentar e ver a morte como uma coisa má, triste.. mas que faz parte da vida, sendo o fim dela...!

Beijinhos a todos

5 Comments:

At 10:57 da tarde, Anonymous Anónimo said...

A morte é algo que me assusta... mas a morte de alguem que amo é algo que me aterroriza! **

 
At 1:00 da manhã, Blogger Cláu said...

Sinceramente a morte em si não me assusta. Assusta-me, isso sim, a morte dos que amo.
Acredito que a morte (como falamos aqui) é tão e somente o fim de um ciclo, existe algo para além disto. E não acredito só para diminuir a "dor" ou o que seja, acredito realmente.
O "sempre" é algo que ninguem conhece, não tem fim..eu acredito na eternidade.

**********Bjo

 
At 9:05 da manhã, Anonymous Sandra Cunha said...

O texto tocou-me... até porque passei recentemente pela morte de um pilar da minha vida: o meu marido (em acidente de viação).Desde aí a Morte - para mim - tomou outra dimensão. É um autêntico pesadelo - tratando-se dos que mais amamos... é uma expectativa (quando falo da minha própria morte). Mais que o "medo de morrer", assusta-me a ideia de uma velhice em solidão.

 
At 7:32 da tarde, Blogger kennedy said...

a morte me faz sentir falta de vida

por que morrer se pode nascer denovo

 
At 7:32 da tarde, Blogger kennedy said...

a morte me faz sentir falta de vida

por que morrer se pode nascer denovo

 

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